Trabalhadores exigem hoje em Lisboa mudança de políticas

Protesto geral <br>justo e justificado

Vindos de todo o País, trabalhadores e trabalhadoras dos diferentes ramos de actividade, do sector empresarial e da Administração Pública, reformados ou no activo, jovens ou seniores manifestam-se esta tarde em Lisboa, no âmbito do «protesto geral pela mudança de políticas», convocado pela CGTP-IN, para as 14.30 horas, no Rossio. Antes, os trabalhadores do Estado concentram-se junto ao Ministério das Finanças.
Precedido de centenas de iniciativas sindicais, para esclarecimento e mobilização dos trabalhadores (a União dos Sindicatos de Setúbal, por exemplo, refere a realização de 270 plenários, reuniões e contactos), e apoiado em vários pré-avisos de greve, para permitir uma maior participação (a União dos Sindicatos do Porto revelou terem sido apresentados, neste distrito, 21 pré-avisos), este é um dia de protesto «de todos e para obrigar a resolver os problemas de cada um de nós, de cada trabalhador». No manifesto da CGTP-IN para esta jornada, distribuído nas últimas semanas junto de empresas e serviços e em locais de grande concentração ou circulação de pessoas, são apontados os objectivos gerais, que justificam o justo protesto de todos os trabalhadores, designadamente:
- combater as propostas do Governo, para a Segurança Social, que implicam a redução das pensões e o aumento da idade de reforma;
- exigir a criação de emprego com direitos;
- responder às «reformas» na Administração Pública;
- cumprir o direito à contratação colectiva;
- alcançar um crescimento real dos salários, principalmente dos mais baixos.
Em cada sector, em cada empresa, em cada serviço, estas razões gerais de descontentamento e protesto ganham mais força, quando são traduzidas para os problemas enfrentados no dia-a-dia.
A União dos Sindicatos do Porto, que sexta-feira deu uma conferência de imprensa sobre a situação económica e social no distrito e a mobilização dos trabalhadores para o protesto de hoje, salientou a existência de 115 mil desempregados, uma média salarial distrital abaixo da que se regista no País, a par do desmantelamento do aparelho produtivo, do alastramento da pobreza, da miséria e da exclusão social. Traçando o quadro de «um país muito injusto», a USP/CGTP-IN reafirmou recusar a desigualdade na distribuição da riqueza (dos portugueses, os 20 por cento mais ricos auferem 7,2 vezes mais rendimentos do que os 20 por cento mais pobres), rejeitando igualmente que quase um milhão de trabalhadores recebam o salário mínimo nacional (385,90 euros), enquanto 85 por cento dos reformados têm pensões inferiores a este valor; mais, cerca de 800 mil reformados receberam, em média, em 2005, uma pensão de 246 euros. Assim, um em cada cinco portugueses vive em condições de pobreza. A USP protesta igualmente contra o alastramento do trabalho precário, que afecta mais de 20 por cento dos trabalhadores, deixando-os com direitos muito reduzidos
O estado actual do País, que há cinco anos consecutivos se afasta do nível de vida da União Europeia, é um dos resultados da política de direita prosseguida por sucessivos governos, que nas últimas décadas têm sistematicamente atacado os direitos dos trabalhadores – acusa, por sua vez, a União dos Sindicatos de Setúbal, numa nota que divulgou à imprensa na semana passada. Para a USS/CGTP-IN, o actual Governo do PS, ao tentar reduzir direitos e impor retrocessos sociais, põe em causa a estrutura e o papel do Estado, reconfigurando-o aos interesses do grande capital e subvertendo o regime democrático consagrado na Constituição.
Porque «isto não pode continuar assim», o manifesto da CGTP-IN conclui que «as lutas dos trabalhadores têm de exigir uma efectiva mudança de políticas». Isso farão hoje dezenas de milhares de pessoas, nas ruas de Lisboa, num protesto geral que o Governo e o patronato não poderão ignorar e que dará mais ânimo para as lutas que os trabalhadores vão certamente ter que intensificar nos próximos tempos.


Mais artigos de: Em Foco

Lutar vale a pena

Nas experiências vividas em inúmeras empresas e sectores, comprova-se que a luta dos trabalhadores, não sendo, à partida, garantia de vitória, é o caminho mais seguro para evitar graves derrotas na luta contra a intensificação da exploração.

Contra a redução das pensões

A proposta do Governo sobre a «reforma» da Segurança Social impõe uma redução gradual do valor de todas as pensões, já a partir de 2008, a pretexto do aumento da esperança média de vida.Outras medidas previstas para a nova Lei de Bases (com o acordo do patronato) confirmam que serão os trabalhadores a pagar os custos de...

Professores lutam por carreiras e dignidade

Na grandiosa manifestação de dia 5, do Marquês ao Rossio, largos milhares de docentes exigiram, em Lisboa, respeito pelas carreiras e a sua dignidade profissional. A luta foi tão participada que o membro do secretariado da Fenprof, Mário Nogueira, salientou, no plenário que decorreu no fim da marcha, no Rossio, os...

Travar o PRACE e impedir a destruição

Os trabalhadores da Administração Pública concentram-se hoje, às 14 horas, junto ao Ministério das Finanças e vão depois juntar-se ao protesto nacional da CGTP-IN, para exigir a dignificação do seu estatuto profissional, a melhoria das condições de vida, recuperando o poder de compra perdido nos últimos anos e para...

Por melhores salários

A melhoria dos salários e uma mais justa repartição da riqueza criada são objectivos centrais da CGTP-IN e dos trabalhadores. Estas reivindicações constituem um dos principais motivos para a participação no protesto de hoje. Em muitos sectores, a negociação colectiva é negada pelo boicote das associações patronais, que...

Por emprego com direitos

No protesto de hoje, é exigida a alteração da política que promove uma matriz económica assente em salários baixos, emprego precário e pouca qualificação, ao mesmo tempo que privilegia o enriquecimento dos detentores do poder económico e financeiro. A CGTP-IN reclama mais emprego e menos precariedade, com valorização da...

Mais razões para lutar

Pela Galp públicaMembros da comissão de trabalhadores da Petrogal, delegados e dirigentes sindicais e outros trabalhadores das empresas do grupo Galp Energia concentram-se esta manhã, pelas 11 horas, junto à sede da empresa (nas Torres de Lisboa). Esta foi uma das decisões tomadas no quadro da recente série de plenários,...